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Deep Tech2026-09-11

SPHERE do VLT Obtém a Primeira Imagem Direta de Betelgeuse B

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Marco Lago Pereira
QOrigin News
SPHERE do VLT Obtém a Primeira Imagem Direta de Betelgeuse B

Uma equipe internacional de astrônomos obteve a primeira imagem direta e a evidência mais robusta até o momento da existência de uma estrela companheira orbitando Betelgeuse. A descoberta, liderada por pesquisadores do Observatoire de Paris - PSL e baseada em dados do Very Large Telescope (VLT) do Observatório Europeu do Sul (ESO), encerra um debate astrofísico de aproximadamente um século sobre as anomalias da famosa supergigante vermelha localizada na constelação de Órion.

O Enigma Fotométrico de Betelgeuse

Durante décadas, as flutuações de brilho de Betelgeuse intrigaram a comunidade científica. A hipótese de uma estrela companheira havia sido proposta há cerca de um século para explicar essas variações, mas a detecção direta sempre esbarrou em limitações tecnológicas e no severo ofuscamento causado pela própria supergigante. O interesse no sistema estelar atingiu um pico recentemente, quando o escurecimento abrupto de Betelgeuse levantou especulações sobre uma supernova iminente — fenômeno posteriormente atribuído a uma nuvem de poeira. A validação da existência de um corpo secundário exigia observações em uma janela temporal restrita, prevista por dois estudos teóricos robustos de 2024, que indicavam que em dezembro daquele ano a companheira atingiria a maior separação angular da estrela principal, facilitando a captura.

Imagem Direta via Instrumento SPHERE

Para contornar o intenso brilho de Betelgeuse e capturar a emissão de fótons da companheira, a equipe liderada por Miguel Montargès acionou o instrumento SPHERE, acoplado ao VLT no deserto do Atacama, no Chile. Originalmente projetado com sistemas avançados de óptica adaptativa e técnicas de pós-processamento para a detecção de exoplanetas, o SPHERE provou ser excepcionalmente apto para isolar a luz de Betelgeuse B. O processamento intensivo de dados das observações de dezembro de 2024 revelou que a estrela secundária não apenas existe, mas possui entre duas e três vezes a massa do Sol, sendo significativamente mais massiva do que as estimativas teóricas anteriores, que previam um corpo com massa equivalente à solar.

“Sinceramente, achei que não teríamos a sensibilidade para detectar Betelgeuse B como havia sido previsto. Como ela é mais massiva do que o estimado, conseguimos vê-la!”

Impacto na Evolução Estelar e Próximos Passos

A detecção de Betelgeuse B altera os modelos de evolução para o sistema binário da supergigante vermelha. A presença confirmada de uma companheira com até três massas solares a uma distância orbital relativamente próxima levanta novas questões termodinâmicas e gravitacionais sobre como esse corpo secundário afetará a inevitável explosão de supernova de Betelgeuse. Como próximo passo de validação e refinamento de dados, os pesquisadores planejam realizar novas observações dentro de um ano, visando capturar a companheira no lado oposto de sua órbita. Esta etapa confirmará em definitivo os parâmetros orbitais do sistema, eliminando qualquer margem residual de dúvida.

Sobre o Autor

Marco Lago Pereira é pesquisador chefe na QOrigin. Este conteúdo traz análises aprofundadas sobre arquitetura de sistemas avançados e tecnologias emergentes.